Nikita , França e Noite.
Quanto mais Nikita passeava pelas areias de Mont Blanc,
sentia-se viva, cada dia naquele típico paraíso da costa francesa, era a
consagração do verdadeiro sentido do luxo, diversão e alegria.
Podia sentar-se em mesas estranhas, começar a conversar tranquilamente,
conhecendo novas pessoas, pensamentos, sotaques, sentidos, desvendando o mundo
que se continha em cada um.
E não acabava por aí , tragando seus cigarros mentolados ,
deixava os marmanjos de boca aberta , por onde passava , com seu charme quase
palpável , trajando belas roupas ,
sempre com um sorriso à face , muitos se perguntavam de onde saíra tanta
perfeição , tanta beleza unida em uma só pessoa , tantos se imaginavam com ela
, e sem que percebesse , tiravam fotos , retratos de uma bela moça estrangeira
, de um momento de sua mocidade que nunca mais voltaria.
Não se sabia certa, ou errada, mas queria sentir a vida,
ver-se viva em meio a tudo, dançar pelas ruas, flertar em cada esquina, sentir
o ar que respirava, amar cada pedaço de si, libertar-se das avarezas humanas,
tão deprimentes e sorrateiras.
Chegando a noite, largava-se por aí, em braços e bocas que
se chamavam amigas, tornando se amantes de um dia só, ou melhor, de uma noite
só, nikita não queria mais anda a não ser , viver , mesmo , experimentando
nuances de perfumes alheios , mesclados em suores , e hálitos etílicos , a
defumação da nicotina , dos fumos , o cheiro da noite , nas festas , delirando
pelos cantos , ouvindo músicas , curtindo caronas pelas ruas da cidade , vendo
as luzes dos postes virarem uma trilha intrínseca , corando pelas cantadas ,
ruborescendo diante do charme cavalheiresco dos jovens galegos ao seu redor .
Era mesmo necessário tanto medo da vida? Seria certo
esconder-se de tudo que existe de bom, com medo de ficar à revelia, com medo de
ser julgado, recriminado? Não Nikita não esperaria aos outros viverem, para
então começar a fazê-lo, pra poder amar, do jeito que realmente queria.
A ojeriza que tinha pelos preconceitos de sua época compunham,
tanto seu senso crítico quando sua vontade de transgredir aqueles dogmas fantasiosos,
crendices religiosas que atrapalhavam mais do que assessoravam.
Muitas vezes via pelas avenidas, pastores e religiosos
olhando de soslaio e odiando a quem fosse diferente deles, e ainda sentiam-se
livres para combatê-los em nome de um nome superior, solapando com os
princípios de amor.
Mas Nikita tentava mostrar aos demais que o amor em si, era
mesmo a saída de tudo, e que dentro dela morava o deus, que tantos falavam ser
alguém de larga estrutura, poderes fantásticos, um ser que derrubava e construía.
E que esse tal deus, benevolente, caridoso, amargo e vil, éramos nós mesmos.
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