Patrícia foi assassinada quando chegava a sua casa, em Niterói
Depois de receber inúmeras ameaças de morte, a juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros na noite de quinta-feira em Niterói (RJ), solicitou a renovação da escolta policial em 2009 ao então presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RS), Luiz Zveiter, de acordo com o desembargador Rogério de Oliveira Souza.
Segundo relato dado ao Jornal Nacional, no entanto, Zveiter disse que a conversa com a juíza naquela ocasião não foi sobre este tema, e sim sobre um incidente entre ela e o namorado, contra quem registrou queixa de agressão. Ainda de acordo com o telejornal, o então presidente do TJ afirmou que outras pessoas presenciaram a conversa e podem confirmar seu conteúdo.
O atual presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, confirmou mais cedo hoje que a juíza teve escolta composta por três policiais no período entre 2002 e 2007 e que, a partir daquele ano, houve uma reavaliação na quantidade de efetivo necessário. O TJ avaliou que o número deveria passar de três para um agente. A juíza teria considerado desnecessária a escolta e optado por descartá-la quando informada sobre a alteração.
"O Tribunal chegou à conclusão de que não havia necessidade de continuar com a segurança intensa. Muitos magistrados que recebem proteção por um tempo acabam eles mesmos pedindo para que ela seja aliviada quando não julgam mais necessária", afirmou.
Ainda de acordo com Rebêlo, após 2007 não houve nenhum comunicado ao TJ a respeito de ameaças sofridas pela juíza. Nessa época, o presidente do Tribunal era o desembargador José Carlos Murta Ribeiro. "Se ela pediu proteção, acredito que tenha recorrido ao 7º BPM (São Gonçalo)", disse.
O magistrado contou, ainda, que havia encontrado Patrícia no último dia 29 sem que ela tivesse relatado qualquer ameaça. "Ela parecia feliz. Até brincou comigo", contou. O desembargador afirmou que o Judiciário está de luto pela morte da juíza. De acordo com o presidente do TJ, serão nomeados três juízes para dar prosseguimento aos processos mais complexos que seriam da competência da magistrada. Muitos envolvem criminosos perigosos como milicianos e grupos de extermínio.
"Esse caso não vai ficar impune. Os envolvidos serão punidos e encaminhados para presídios de segurança máxima. Essa é uma questão de honra para a magistratura", disse Rebêlo.
Fonte: Terra

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